<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6815850073222510257</id><updated>2012-01-11T00:47:10.599-02:00</updated><category term='memória'/><category term='poesia'/><category term='Conto'/><category term='crônica'/><title type='text'>Blog do Alex</title><subtitle type='html'>Blog de prosa curta, crônicas, poesia e contos escritos por mim. Obrigado por lerem e respeitarem o direito autoral,  já que copiar o texto sem autorização é crime, conforme Lei nº 9.610/98 - a Lei de Direitos Autorais. Essa proteção independe do Registro dos textos na Biblioteca Nacional, e as penalidades estão descritas na Lei nº 10.695, DE 1º de julho 2003. Obrigado e boa leitura!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://alexsweblog.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexsweblog.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Alex Mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975685767482827419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/x/blogger2/6567/3582/1600/754940/Alex6.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>13</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6815850073222510257.post-4531318861463815852</id><published>2009-06-08T20:30:00.001-03:00</published><updated>2009-06-08T20:32:35.592-03:00</updated><title type='text'>Leia-me no WORDPRESS</title><content type='html'>&lt;a href="http://alexmendes.wordpress.com/"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;http://alexmendes.wordpress.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6815850073222510257-4531318861463815852?l=alexsweblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexsweblog.blogspot.com/feeds/4531318861463815852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6815850073222510257&amp;postID=4531318861463815852' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/4531318861463815852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/4531318861463815852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexsweblog.blogspot.com/2009/06/leia-me-no-wordpress.html' title='Leia-me no WORDPRESS'/><author><name>Alex Mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975685767482827419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/x/blogger2/6567/3582/1600/754940/Alex6.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6815850073222510257.post-5855653358817672258</id><published>2009-05-29T16:15:00.005-03:00</published><updated>2009-05-29T17:27:49.969-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='memória'/><title type='text'>CANSAÇO</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.hungryeyegraphics.com/Oils/the%20magician%20(tarot)%201963%20vermont.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 345px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.hungryeyegraphics.com/Oils/the%20magician%20(tarot)%201963%20vermont.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Estou tão cansado ultimamente, que já nem sei mais o que me cansa. Se é tudo. Se é somente algumas coisas e o cansaço se espalha na minha vida... Não sei bem. Só sei que esse cansaço não tem sido em vão. Junto com isso tudo vem uma necessidade inexorável de mudança. E qualquer mudancinha já não me serve mais. Eu quero acordar amanhã com tudo diferente, se possível com o céu de outra cor. Embora saiba que isso é realmente impossível, eu quero que algo mude, seja lá o que for. Eu tenho uma suspeita séria que as coisas da minha vida estão me atrapalhando a continuá-la da maneira adequada, mas ainda não sei exatamente o que e onde mudar tudo. A minha proposta para mim mesmo é não me esconder mais dos meus problemas, das coisas que me atrapalham.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez eu faça uma lista de tudo que me incomoda. Talvez eu publique numa seção de anúncios classificados, talvez eu reúna todos ao meu redor e leia a todos o que me incomoda. Talvez eu me cale ainda mais. Mas uma hora, quer eu tenha decidido esconder, quer eu tenha decidido gritar aos quatro ventos, eu terei de tomar uma atitude ainda mais séria. E o que fazer? Ainda não sei. Então decidi perguntar a mim mesmo o que eu quero e não tenho me conformado com a primeira resposta que me surge. Mas coisas me incomodam e incomodam muito. Tenho passado por problemas sérios, cansaços, mortificações, conflitos, brigas sérias. E queria que isso tudo passasse, para sempre...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez um ultimato a quem me incomoda, talvez alguma coisa. E eu farei. Farei mesmo. E farei logo, assim que eu puder. Se possível ainda hoje. Mas hoje, eu já tenho tanto a fazer... Isso! Talvez seja isso. Coisas demais a fazer. Preciso me desfazer delas, o mais rápido o possível. E dedicar-me a coisas que eu gosto de fazer: ler, desenhar, pensar, criar, imaginar, escrever, passar a limpo a minha existência, folha por folha até que reste um belo livro de páginas organizadas. Talvez falte-me um plano para manter a minha casa organizada, a despeito do excesso de obrigações que me impedem de recolher a roupa suja do chão ou de lavar um prato após a refeição. Mas isso durará pouco. Durará sim... Eu prometo. Pelo menos enquanto eu estiver sozinho, eu farei o que eu puder.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu quero o meu tempo de volta, eu quero as minhas coisas no lugar em que eu deixei. Não que alguém além de mim tenha mexido. Mas a minha cabeça está tão cansada que tenho perdido a noção de quando tenho mexido eu mesmo em minhas coisas. Estou cansado, estressado, mortificado por uma porção de coisas que nem eu mesmo sei se estão ou não fazendo isso comigo. Tenho de continuar a perguntar-me tudo. E evitar os rompantes de ódio e de ojeriza que me assaltam de cinco em cinco minutos. Estou diferente, eu sinto. Estou diferente e não consigo agir com o mesmo ânimo e com a mesma vontade de antes. Espero não machucar e nem magoar a ninguém.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Espero também que não me peçam para agir do modo que eu não quero. Espero mesmo. Vamos ver o que vai dar hoje...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6815850073222510257-5855653358817672258?l=alexsweblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexsweblog.blogspot.com/feeds/5855653358817672258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6815850073222510257&amp;postID=5855653358817672258' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/5855653358817672258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/5855653358817672258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexsweblog.blogspot.com/2009/05/cansaco.html' title='CANSAÇO'/><author><name>Alex Mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975685767482827419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/x/blogger2/6567/3582/1600/754940/Alex6.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6815850073222510257.post-2988980809514938189</id><published>2009-04-11T01:57:00.003-03:00</published><updated>2009-05-29T17:27:31.555-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>O POETA</title><content type='html'>&lt;a href="http://quasepoema.zip.net/images/writing.JPG"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://quasepoema.zip.net/images/writing.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O poeta é virgem néscia&lt;br /&gt;Que se esquece do azeite da candeia.&lt;br /&gt;O poeta é mártir sem causa&lt;br /&gt;A morrer por si mesmo.&lt;br /&gt;O poeta é expiação, Cristo de sua religião.&lt;br /&gt;O poeta é pintor de paredes que não existem.&lt;br /&gt;É homem de profissão inútil.&lt;br /&gt;Nasceu com mãos e olhos únicos&lt;br /&gt;E visões de um futuro inexplicado&lt;br /&gt;Traduzidas simbolicamente&lt;br /&gt;Incompreensíveis até mesmo a si.&lt;br /&gt;O poeta é morto-em-pé,&lt;br /&gt;Dormita de candeia acesa&lt;br /&gt;Morto, é poeta.&lt;br /&gt;Vivo, é poeta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Carta fora do baralho, é poeta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6815850073222510257-2988980809514938189?l=alexsweblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexsweblog.blogspot.com/feeds/2988980809514938189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6815850073222510257&amp;postID=2988980809514938189' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/2988980809514938189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/2988980809514938189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexsweblog.blogspot.com/2009/04/o-poeta.html' title='O POETA'/><author><name>Alex Mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975685767482827419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/x/blogger2/6567/3582/1600/754940/Alex6.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6815850073222510257.post-2033360265417084398</id><published>2009-03-22T20:18:00.006-03:00</published><updated>2009-05-29T17:27:12.032-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>BELO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/ScbHZfa-C7I/AAAAAAAAALs/t3HDl8axEKs/s1600-h/ah%20espelho%20meu.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316155650902723506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 278px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/ScbHZfa-C7I/AAAAAAAAALs/t3HDl8axEKs/s400/ah%2520espelho%2520meu.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Como eu sou bonito, exclamo da frente do espelho que nunca rirá de mim!&lt;br /&gt;Acordo com meus olhos empapuçados do sono que nunca é o suficiente para descansar,&lt;br /&gt;Olho-me nos olhos embaçados,&lt;br /&gt;Cambaleio de um lado a outro até chegar no trabalho, como eu sou lindo!&lt;br /&gt;Há dez quilos atrás essa roupa caía-me como uma luva,&lt;br /&gt;Os olhos de quem me olha é um espelho perfeito, sem curvas, distorções ou aumentos,&lt;br /&gt;Invento coisas para me recobrir para que se realce aquilo que eu posso oferecer&lt;br /&gt;Àqueles que me olham sem pedir permissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu sou bonito, penso olhando nos olhos daqueles que riem quando eu apareço!&lt;br /&gt;Passo pelas pessoas chamando a atenção para mim.&lt;br /&gt;Olho-me nas faces que passam e se abaixam ao perceberem que percebo.&lt;br /&gt;Ando por aí até que sinta que já se acostumaram.&lt;br /&gt;Há tanto tempo que isso acontece.&lt;br /&gt;A face dos outros é um espelho mais perfeito ainda.&lt;br /&gt;Passo por isso sem dar a devida atenção para o problema.&lt;br /&gt;A vida é mais que uma mera vaidade, eu sei.&lt;br /&gt;E retribuo de cara fechada, olhares que me julgam na passarela do cotidiano.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6815850073222510257-2033360265417084398?l=alexsweblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexsweblog.blogspot.com/feeds/2033360265417084398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6815850073222510257&amp;postID=2033360265417084398' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/2033360265417084398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/2033360265417084398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexsweblog.blogspot.com/2009/03/belo.html' title='BELO'/><author><name>Alex Mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975685767482827419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/x/blogger2/6567/3582/1600/754940/Alex6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/ScbHZfa-C7I/AAAAAAAAALs/t3HDl8axEKs/s72-c/ah%2520espelho%2520meu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6815850073222510257.post-2132488465189146567</id><published>2009-02-11T14:03:00.001-02:00</published><updated>2009-02-11T14:06:51.544-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Carlos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Carlos me contou ontem que tinha ganhado um prêmio de loteria. “Que bom”, disse. “Quanto foi, já depositou na conta?”.&lt;br /&gt;— É bicho camarada! Meu pai explicou como é que aposta, muitos anos atrás, então, passando por uma banca aqui, eu resolvi arriscar. Então eu fiz e ganhei dois mil, cara! Já dá para comprar um pouco do material para a exposição, faltam uns detalhes... Que bom, eu não ganho nada, nunca!&lt;br /&gt;— Interessante, eu disse finalmente. Sabia que isso é contravenção? Não lhe preocupa?&lt;br /&gt;— Claro que não, mané! Vou montar o meu portfolio hoje mesmo, vou fazer bonito numa exposição coletiva daqui a um mês. Eu teria de contrair um empréstimo para comprar material e montar para tal exposição em São Paulo. Quem sabe um prêmio... Andei pela zona rural, fotografei até os canaviais, de cima das montanhas...&lt;br /&gt;E havia poesia nas intenções de Carlos, e na sua maneira de gesticular, e no fato de encontrar-me naquela esquina horrenda, na frente de uma horrorosa borracharia, e no fato de sonhar alto ou baixo, sei lá, na minha frente. E eu a desconstruir seu discurso, sendo impertinente e analista demais. Carlos é tão bom, sinto-me grato a Deus por seu amigo. E ele é tão dinâmico. Depois que o encontro, passo bem uma hora pensando sobre ele. Carlos tem olhos verdes. Minha maior frustração é ter olhos castanhos demais, além de ruins, insuficientes, fotofóbicos. Carlos devaneia nas suas fotos e eu me sinto invejoso porque não sou como Carlos. Ele é mais baixo que eu, que sou apenas médio, mas ele é mais bonito, está em forma, tem um grande talento e ganhou ontem no jogo do bicho! Carlos anda de bermuda, chinelos e camiseta-regata, com sua beleza à mostra e eu em roupas bem largas a esconderem as minhas formas horrorosas. Carlos estudou arte, fotografa bem e está aqui nesse buraco no interior porque o pai trabalha aqui. Eu não queria ser Carlos. Às vezes eu me reprimo por ser pouco afetuoso com ele, sem ser da maneira que deveria.&lt;br /&gt;Ele gosta de Janis Joplin, e um dia perguntou-me, numa fila de banco, se eu conhecia “Piece Of My Heart”, da cantora. Talvez porque me visse com um CD na mão. “É a minha favorita”, disse eu.  E batemos um papo legal. E ele falou de sua família, de sua namorada, eu falei de minha cadelinha, da minha família. Trocamos emails e ele almoçou lá em casa, para delírio das meninas. E conversamos sobre Freud, do qual ele não gosta de verdade. Apresentei a ele muitas músicas que eu gostava, creio que pensou que eu fosse um esquisito. Sempre achei relativos certos conceitos como bom, ruim; afinado, desafinado; certo, errado; e outros mais. Quando disse isso a ele, ele me disse: “O quê?” Pensei: Calma, vá devagar. Ele é homem. Nunca prestaria a devida atenção a isso...&lt;br /&gt;— Passe lá em casa.&lt;br /&gt;Esse foi sinal máximo de um pacto de amizade, eu deveria ficar lisonjeado depois disso.&lt;br /&gt;— Tá, disse eu. Cada vez menos quero ver Carlos, menos quero encontrá-lo. Ele é aquilo que não sou no intelecto, aparência e modos. Temos apenas alguns pontos de contato.  Então andar com alguém mais bonito que você, mais atraente e interessante, mais sortudo, oriundo de uma cidade mais desenvolvida; criativo; cheio de mulheres; chega! Já nem auto-estima tenho. Ah, esqueci-me de que não creio em auto-estima.&lt;br /&gt;É chato vê-lo se esforçar por levantar algo pesado e mostrar sua musculatura. É chato vê-lo sorrir em mármore luzidio, olhar em setas fulminantes para mulheres, andar de papetes e jeans sem camiseta na rua, enquanto eu, eu somente feio, feio, feio, feio. Carlos é um pseudo-intelectual, com profissão e diploma universitário.&lt;br /&gt;Penso que o amo como amaria a um irmão, mas posso competir com ele?&lt;br /&gt;Ele exaure todo o oxigênio do ar respirável quando chega a algum lugar onde estou. Ele ilumina tudo a ponto de me ofuscar. Completamente.&lt;br /&gt;E mais essa ainda? Ganhou no jogo do bicho! Demais. Uma pergunta sua me desperta desse torpor:&lt;br /&gt;— Aonde você vai?&lt;br /&gt;— Vou à biblioteca, depois tenho aula à tarde, e à noite. A gente se vê. Vai estar na Internet?&lt;br /&gt;— Bem, ele diz. Espero, mas não gasto muito telefone, você sabe! (E eu penso: logo você acha alguém para bater papo, e adeus...) E aquela garota? Bem, se ela atender a um telefonema hoje, quem sabe, mas estou mais interessado em minhas fotos...&lt;br /&gt;Carlos acena amarelamente enquanto eu engulo a seco o pejo, a frustração por ser a combinação perfeita de DNA que resultou em piada biológica de primeira. Adeus Carlos, tchau, Carlos, até mais Carlos, falou Carlos. Eu luto entre o sintagma e o paradigma, até que me viro balançando a mão para ele. De repente jogar-me embaixo daquele caminhão pareceu-me um pouco atraente para aquela manhã que só me dava mais cinco minutos até ao meio-dia.&lt;br /&gt;Carlos fala como quem sabe ou não das suas qualidades e defeitos.  Eu gosto dele, mas quando tudo o que ele quer é tomar cerveja e jogar bola eu digo: “Há companhia melhor que eu”. Estou falando sério, Carlos. É claro que não vou à Igreja hoje, mas ir para boteco para ficar a noite inteira ouvindo besteira e música sertaneja? Nunca! Anti-social, eu? Era o cara que inventou esse tipo de música... Nem morto, como? Deixa para lá. “Deve ser realmente muito bom para ele, penso”. Para ele e os outros porque não me apetece esse tipo de programa. Coisa que não faço nem por pessoas mais especiais...&lt;br /&gt;Essa conversa, por telefone, aconteceu pelo menos três vezes e numa delas a minha mãe ouvia tudo, repreendendo-me severamente ao final. “Não, mamãe, não estou escorraçando ninguém, mas sei lá...”.&lt;br /&gt;Bem, eu me mentalizo lá, a tomar guaraná com rodelas de laranja, ouvindo as suas piadas engraçadíssimas. Ele tomando a cerveja da moda, não sou eu quem gosta disso. Por que me comprometi a esse ponto, então? Imagino-nos lá, então o papo transita por vários assuntos e em todos eles a minha opinião é diferente, então alguém se irrita comigo, diz que isso não é papo para mesa de bar. Isso não é mente para mesa de bar, penso comigo.&lt;br /&gt;Carlos de novo ao telefone, e eu:&lt;br /&gt;— Diz que eu não estou, mamãe.&lt;br /&gt;É o tempo que preciso para deixar a cama e desligar o celular. Eu gosto do Carlos, mas somos muito diferentes para sermos amigos do peito. Ontem ele me ligou dizendo que as fotos ficaram tão boas que vem aqui me mostrar. Ah! Houve um dia na minha vida que tudo o que quis eram amigos, pessoas a me visitar... Ah...&lt;br /&gt;Meu senso estético destruíra a minha amizade com ele.&lt;br /&gt;Mais um para me preocupar do dia do meu aniversário. Vou ter de sair correndo daqui, vou ter de ter uma estratégia para esse dia...&lt;br /&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;14 de novembro de 2005.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6815850073222510257-2132488465189146567?l=alexsweblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexsweblog.blogspot.com/feeds/2132488465189146567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6815850073222510257&amp;postID=2132488465189146567' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/2132488465189146567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/2132488465189146567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexsweblog.blogspot.com/2009/02/carlos-carlos-me-contou-ontem-que-tinha.html' title=''/><author><name>Alex Mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975685767482827419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/x/blogger2/6567/3582/1600/754940/Alex6.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6815850073222510257.post-3238610517039830158</id><published>2009-01-27T23:27:00.004-02:00</published><updated>2009-01-29T20:11:28.008-02:00</updated><title type='text'>ODEIO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SX-1OVHwYlI/AAAAAAAAALQ/_O3iw07ZCpY/s1600-h/Hate.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296150944603464274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 323px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SX-1OVHwYlI/AAAAAAAAALQ/_O3iw07ZCpY/s400/Hate.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;COISAS QUE EU ODEIO&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Alex Mendes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;ônibus cheio; mancha de café na camisa recém-vestida; computador lento; mão naquilo e aquilo na mão; pé de vento; pé de valsa; uma mão lava a outra; pão mofado; pão que o diabo amassou; programa domingo legal; habeas corpus preventivo; máquina de fazer &lt;em&gt;cappuccino;&lt;/em&gt; meia furada; gel de arnica; dez paçoquinhas só paga um real; meio limão cortado na geladeira; cartão corporativo; celular clonado; fatura de cartão de crédito; celular sem crédito; celular sem sinal; fone de ouvido estragado; cera de ouvido saindo para fora; pêlo do nariz; óleo de fígado de bacalhau; arnaldo jabor; leve três e pague dois; carne de pescoço; aparecida liberato; ritmo de festa; mutirão; trabalho coletivo; supremacia ariana; peito de frango congelado; óculos vencidos; meias de &lt;em&gt;nylon;&lt;/em&gt; garrafa PET; reforma na casa; ferro de passar comum; promoção de calçados no monte; partícula apassivadora &lt;em&gt;se;&lt;/em&gt; carro da pamonha; tapa na cabeça; pinto no lixo; condoleeza rice; cão de guarda; bicicleta feminina; cesariana; calota de fusca; carne entre os dentes; pisada no pé; gerúndio; pé-de-moleque; jiló; boris casoy; dobradinha; carne cozida com cenoura; atriz pornô; pombos; yakult; flan de baunilha; café frio; o bolo do divino; helena blavatsky; sol do meio-dia; som automotivo; cd arranhado; programa do gasparetto; comercial de cerveja; chiclete mascado; hálito de pinga; cerveja; caipirinha; caipiruva; caipiroska; morar longe do trabalho; sílvio santos; romance mediúnico; romance de banca de revista; última temporada da série preferida; novela das oito que só passa às nove; pente cheio de cabelos, creme dental sem tampa; papel higiênico no chão; torneira pingando;&lt;em&gt; brokeback mountain;&lt;/em&gt; torta salgada; fila de caixa; pagar no cartão em até 10x; sexo frágil; noite quente; cobertor de poliéster; sala de cinema; fumaça de cigarro; pequi; paulo francis; programa da igreja universal; exorcismo na tv; simpatia; encosto; água parada; resto de sanduíche; pia entupida; gordura localizada; peso morto; tampa de vaso molhada; leite de cabra; rinite; dicionário de nomes; envelope de carta resposta comercial; interurbano a cobrar; bueiro entupido; caixa de gordura; placa de aluga-se; vendedor ambulante de terminal de ônibus; atraso de correspondência; lote baldio; cheiro de mijo; porta de cadeia; falta de educação; teclado com defeito; parte com o diabo; robin williams; &lt;em&gt;übermodel;&lt;/em&gt; mercado de ações; hamilton carneiro; custo real efetivo; mamão; salário-família; bolsa família; bolsa escola; bolsa alimentação; vale gás; cartão do cidadão; desmatamento; curso de capacitação; reunião com a diretora; 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música alta dentro do carro; sirene; conflito árabe-israelense; fogo de palha; comercial do &lt;em&gt;shoptime;&lt;/em&gt; onda de calor; zona de convergência; divisor de águas do nosso tempo; coral infantil; chinelo arrebentado; fazer lista de compras; andar calçado na chuva; xícaras sem asas ou pires; antônio carlos magalhães; porta de vidro; miopia; fotofobia; cheiro de roupa suja; enxaguar roupa no tanque; esperar cinco dias úteis&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6815850073222510257-3238610517039830158?l=alexsweblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexsweblog.blogspot.com/feeds/3238610517039830158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6815850073222510257&amp;postID=3238610517039830158' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/3238610517039830158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/3238610517039830158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexsweblog.blogspot.com/2009/01/odeio.html' title='ODEIO'/><author><name>Alex Mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975685767482827419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/x/blogger2/6567/3582/1600/754940/Alex6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SX-1OVHwYlI/AAAAAAAAALQ/_O3iw07ZCpY/s72-c/Hate.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6815850073222510257.post-1602777969040970972</id><published>2009-01-25T19:00:00.006-02:00</published><updated>2009-10-05T10:42:58.608-03:00</updated><title type='text'>BRASÍLIA</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SXzXrgBRF_I/AAAAAAAAALA/sfxQR4JYroM/s1600-h/brasilia-1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295344404210456562" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; height: 348px; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SXzXrgBRF_I/AAAAAAAAALA/sfxQR4JYroM/s400/brasilia-1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fui à Brasília no ano passado, em decorrência da realização de uma prova de concurso que eu participava. Não tinha mesmo esperanças de passar, embora tenha sonhado bastante com o quanto me ajudaria um bom salário... Pelo menos conheci Brasília de perto, e quando esperava o ônibus de volta para Goiânia, numa plataforma fétida e esquisita, escrevi este poema:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Brasília, cidade fria&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Concreto e aço a brotar do cerrado devastado&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Cidade que desperdiça espaço&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Ruas difíceis de atravessar, pretas, cinzentas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Brasília, cidade clara&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Onde procuro o preto dos quilômetros de asfalto&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Para descansar as minhas retinas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Brasília, cidade suja&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Terra vermelha que aflora dos gramados ralos&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Dos caminhos sulcados pelos passantes nos mesmos&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Calçadas encardidas e tudo preto de fuligem&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Brasília, cidade dos automóveis&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Que se enfileiram às dezenas nos sinais fechados&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Carros enormes carregando um só egoísta&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Brasília, cidade do desperdício&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Muito céu azul e luz&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lago_Parano%C3%A1"&gt;&lt;em&gt;Muita água represada&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Muita gente&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Muito poder&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Brasília, cidade cara&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Comida cara&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Passagem cara&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Gente mau-humorada&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Brasília, cidade orgulhosa&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Gente desconfiada nas ruas, gente que não acolhe&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Gente que nega uma informação, por medo&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Por despeito, ou indiferença, sei lá&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Brasília e seus postes elétricos&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Sozinhos, curvados em reverência a seus monumentos&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Fios escondidos, flores de luz e metal a brotar do asfalto&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Brasília, cidade-modelo&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Brasília, cidade-futuro&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Brasília, cidade branca, preta, cinza, bege&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Brasília, cidade sem montanhas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Brasília, cidade alta&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Brasília das árvores leguminosas, pequenas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Brasília dos espaços vazios, prédios modernos&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Brasília e seu mar de hotéis caros&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Das dezenas de ônibus nas ruas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Das grandes distâncias&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Das cidades satélites&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Das nuvens sob o azul cerúleo&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Do capim amarelado&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Do verde morto&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Dos prédios baixos&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Das noites frias&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Dos ruídos&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Brasília, cidade mal-cheirosa.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295348097530578946" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; height: 268px; text-align: center;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SXzbCetZyAI/AAAAAAAAALI/zGC2tbXS3JI/s400/aerea2006a.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6815850073222510257-1602777969040970972?l=alexsweblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexsweblog.blogspot.com/feeds/1602777969040970972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6815850073222510257&amp;postID=1602777969040970972' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/1602777969040970972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/1602777969040970972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexsweblog.blogspot.com/2009/01/braslia.html' title='BRASÍLIA'/><author><name>Alex Mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975685767482827419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/x/blogger2/6567/3582/1600/754940/Alex6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SXzXrgBRF_I/AAAAAAAAALA/sfxQR4JYroM/s72-c/brasilia-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6815850073222510257.post-886210919607922210</id><published>2008-11-03T23:30:00.001-02:00</published><updated>2008-11-03T23:30:06.743-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>DEUS</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_o7D_pbhACO0/SQ-lmAoKTtI/AAAAAAAAAKk/AdS3DykMD-c/s1600-h/deus%20william%20blake%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="396" alt="deus william blake" src="http://lh6.ggpht.com/_o7D_pbhACO0/SQ-lnRHhgoI/AAAAAAAAAKo/Yg4zxa1xCbQ/deus%20william%20blake_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="295" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Eu acredito e sempre acreditarei em Deus. Minha cren&amp;#231;a nunca se foi abalada. NEle n&amp;#227;o.&amp;#160; Mas um Deus diferente de todos os deuses que encontrei nas igrejas se apresentou a mim e fico feliz de t&amp;#234;-lo por meu pai e criador. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quando eu era adolescente, mudei muito r&amp;#225;pido de id&amp;#233;ia a respeito de Deus. De um paiz&amp;#227;o que queria que eu fosse &amp;#224;s missas todos os domingos, rezasse e me confessasse, Deus passou a ser um grande pai, mand&amp;#227;o, inexor&amp;#225;vel, que me levaria para o c&amp;#233;u no futuro e deixaria para tr&amp;#225;s todos aqueles infi&amp;#233;is pecadores que jamais teriam sido escolhidos por ele.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A impossibilidade de continuar dentro de uma igreja que pregasse esse tipo de deus, passei a notar que havia v&amp;#225;rios deuses. Um para cada tipo de pessoa, um que cada&amp;#160; um era capaz de compreender, um deus para cada tipo de humor de cansa&amp;#231;o, de problema. Um deus rico, um pobre, um que pede as coisas mais absurdas a muitas pessoas. Da&amp;#237;, perguntei-me, como faria para continuar com minha cren&amp;#231;a?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Eu tinha quase quinze anos quando conheci uma igreja, sem imagens, com cruzes limpas e pessoas cantando ao som de um piano. Deus estava ali, no meio deles. Mas um deus diferente daquele que serviria para mim, um deus que odeia gays, um deus que s&amp;#243; me faria filho se eu fosse capaz de ser aquilo que ele queria. Mas n&amp;#227;o teria ele, de qualquer forma, me criado desse jeito?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A pergunta at&amp;#233; hoje ficou sem sua resposta. De um ano para c&amp;#225;, no entanto, encontrei-me com ele de novo. Uma vontade enorme de voltar a cren&amp;#231;as antigas, a h&amp;#225;bitos antigos e a do&amp;#231;ura de estar com Deus, dessa vez, foi mais forte. Encontro-o hoje sempre em sua casa, a esperar-me para ouvir o que tenho a dizer, a pensar, a rezar, a cantar para ele ouvir. A for&amp;#231;a de sua presen&amp;#231;a &amp;#233; t&amp;#227;o grande, cada coisa que o homem fez ou mesmo que h&amp;#225; no mundo parece dizer-me de Deus, um Deus que eu sou capaz de compreender no me u intelecto, porque ele se revela a mim. Os outros deuses diziam-se incompreens&amp;#237;veis, incapazes de se revelarem ao mundo de modo direto. O meu Deus faz diferente. Ele move tudo ao meu redor. Ele espalhou centelhas e mais centelhas dele em tudo o que foi por ele mesmo criado e sua presen&amp;#231;a se faz em tudo, em tudo o que meus olhos podem ver de bom, em tudo o que podemos ver e tocar, em cada ser, vivo ou n&amp;#227;o. Tudo est&amp;#225; nEle e Ele em tudo. Deus. As a&amp;#231;&amp;#245;es erradas dos homens n&amp;#227;o s&amp;#227;o sua culpa, porque cada um manifesta como quer aquilo que dele ganhou, Deus &amp;#233; livre e a todos assim fez.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;03/11/2008.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6815850073222510257-886210919607922210?l=alexsweblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexsweblog.blogspot.com/feeds/886210919607922210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6815850073222510257&amp;postID=886210919607922210' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/886210919607922210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/886210919607922210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexsweblog.blogspot.com/2008/11/deus.html' title='DEUS'/><author><name>Alex Mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975685767482827419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/x/blogger2/6567/3582/1600/754940/Alex6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_o7D_pbhACO0/SQ-lnRHhgoI/AAAAAAAAAKo/Yg4zxa1xCbQ/s72-c/deus%20william%20blake_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6815850073222510257.post-1857457832261400268</id><published>2008-10-28T03:12:00.021-02:00</published><updated>2008-10-29T21:56:11.576-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>UM OLHAR SOBRE A CIDADE</title><content type='html'>Uma câmera fotográfica, um pouco de indiscrição e uma boa ida a pé para casa, dá nisso, várias imagens em diferentes lugares, de diferentes formas.&lt;br /&gt;Gosto especialmente de flores, fotografadas elas não morrem de um dia para o outro. Essa mini-rosa é achada em vários lugares, esta especialmente na portaria do prédio do Rafael.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262071079524972946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SQahxGXxOZI/AAAAAAAAAIo/Phds65EOtM8/s320/P1000021.JPG" border="0" /&gt;Esse hibisco é maravilhoso também. Seu matiz único indica que uma mão boazinha o rega todo o dia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262070839319722642" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SQahjHiX-pI/AAAAAAAAAIg/kxVotn50cTk/s320/P1000013.JPG" border="0" /&gt;Esse é o Edifício Olympus. Sempre gostei do seu desenho geométrico futurista. O Setor Oeste em Goiânia é cheio de surpresas arquitetônicas, de estilos misturados, de ruas largas e gente bonita transitando. Adoro passar por lá. Esse fica na Rua 3.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262071259913294802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SQah7mXsk9I/AAAAAAAAAIw/2eZn4J9ojGg/s320/P1000014.JPG" border="0" /&gt; No mesmo Setor Oeste, na mesma rua, há o Pronto Socorro para Queimaduras. Além de ser cheia de pacientes, ter um cheiro fortíssimo de éter, sua portaria é sempre desconfortável para aqueles que têm de esperar pelo tratamento ou acompanhar pacientes. Tirei essa foto porque achei curioso não ter quase ninguém, embora fossem quase seis da tarde.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262071375601665442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SQaiCVV9BaI/AAAAAAAAAI4/0mA5n2oQvJ8/s320/P1000015.JPG" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aqui, um peão de obra varre a sujeira deixada por uma caçamba de terra no asfalto. No Setor Oeste, os pequenos prédios e as casas dão lugar a edifícios enormes, condomínios chiques e caros, para aqueles que insistem em morar perto do centro, das lojas, dos bancos e prédios públicos úteis. Muitos foram-se para condomínios fechados e lá estão, a vinte, quinze, dez quilômetros de distância... Tem gente que acha que é vantagem. Cada um com sua opinião. Para mim, quanto mais no miolo, melhor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262074024592692418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SQakchmoVMI/AAAAAAAAAJY/OThrw88g23w/s320/P1000019.JPG" border="0" /&gt;Essa foto tirei por volta das seis e quinze da manhã, na rua 234, a uma quadra de casa. O tênis parece ter sido usado até o ponto em que se encontra aqui, solitário, sem seu amigo do pé esquerdo. Onde andaria o outro?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262071732233151522" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SQaiXF5hpCI/AAAAAAAAAJA/ceM5tICHfLI/s320/P1000073.JPG" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um flagrante de trabalhador na padaria da esquina da rua 281. Aqui eu atravesso todos os dias para chegar até o ponto onde minha colega me pega para ambos irmos ao trabalho. Essa pessoa lia calmamente o jornal e o lusco-fusco do dia a amanhecer já se insinuava no chão, nas mesas e nas paredes. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262072046989465346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SQaipadR1wI/AAAAAAAAAJI/IQnJS1GCEOE/s320/P1000078.JPG" border="0" /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esse carregador apressado, vende também picolés na rua. Figura fácil nos bairros de Campinas e Setor Coimbra. Ele percebeu que eu o fotografava. Riu ou de surpresa ou para sair bem na foto. Valeu seu Zé. É tu na fita!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262073518218128178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SQaj_DNhqzI/AAAAAAAAAJQ/8W6Ard5ugkU/s320/P1000079.JPG" border="0" /&gt; Essas galinhas fazem parte das contradições da paisagem urbana de Goiânia. Num antigo mercado do Setor Coimbra, invadido por um sem-número de pessoas, alguém cria galinhas de maneira livre. E elas até que estão gordinhas. Olha esse galo. Já está bem grandão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262074370964751474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SQakwr8KhHI/AAAAAAAAAJg/vX2CKIZKNR4/s320/P1000080.JPG" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu não sei o nome desse rapaz. A sua beleza e a figura interessante que se formou na foto fizeram-me não deletar a foto, que tirei no ônibus. Se você se reconhecer aqui, e não gostar, comente o blog que eu retiro a sua foto. Mas se quiser deixar, deixe. Só está aqui porque você é fotogênico. Obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262075336265290338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SQalo39v0mI/AAAAAAAAAJo/UxwtFTE3e1M/s320/P1000098.JPG" border="0" /&gt; Esse pombo manso, quase a meus pés fez lembrar-me que ele pode estar assim por estar muito doente. Eles são os ratos das ruas, comem de tudo e ainda podem transmitir doenças. No entanto, podem ser graciosos. Pombos...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262082026659555298" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SQaruToCp-I/AAAAAAAAAJw/4iXrea7c41s/s320/P1000103.JPG" border="0" /&gt;Esse olhar sobre recortes particulares da cidade podem revelar um fotógrafo meio atrapalhado, mas confesso gostar de flagrantes e de coisas aparentemente sem utilidade. Uma cidade é um espaço ocupado de acordo com necessidades que não passam sempre pela estética ou pelo bem-estar de seres humanos e animais que passam a conviver juntos. No entanto, essa suposta bagunça bem que fica bem aos olhos... De alguns...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;28 de outubro de 2008.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6815850073222510257-1857457832261400268?l=alexsweblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexsweblog.blogspot.com/feeds/1857457832261400268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6815850073222510257&amp;postID=1857457832261400268' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/1857457832261400268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/1857457832261400268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexsweblog.blogspot.com/2008/10/um-olhar-sobre-cidade.html' title='UM OLHAR SOBRE A CIDADE'/><author><name>Alex Mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975685767482827419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/x/blogger2/6567/3582/1600/754940/Alex6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SQahxGXxOZI/AAAAAAAAAIo/Phds65EOtM8/s72-c/P1000021.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6815850073222510257.post-970547317929349516</id><published>2008-10-26T17:26:00.010-02:00</published><updated>2008-10-29T21:55:31.374-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>MARIA CRIMINOSA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SQTNpujC4gI/AAAAAAAAAIM/vCvr-x-RpC0/s1600-h/Machado+(1).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261556381428933122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 271px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SQTNpujC4gI/AAAAAAAAAIM/vCvr-x-RpC0/s400/Machado+(1).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Lembrei-me, ao lembrar-me de Goianésia, de Maria Criminosa. Uma imagem apagada na minha mente, é claro. Não me recordo nunca da cara dela. Mas sempre, na casa de minha avó, ouvia esse nome várias vezes. Mudamo-nos para a cidade, minha família e eu, em 1987. Minha avó materna morava relativamente perto da nossa casa, mas entre a minha e a casa dela havia uma enorme chácara, a chácara do Sr. Negrinho Carrilho, com pasto cheio de gado e a nascente do córrego símbolo da minha cidade: o Córrego Calção de Couro. Algumas vezes passávamos por lá, cortando caminho nas trilhas das vacas, bois e bezerros, e saíamos no fundo da casa da Dona Maria Criminosa. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;color:black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Ri sozinho ao lembrar-me da senhora cuja face não me lembrava mesmo. Era comadre de meu avô, o filho dela, que chamávamos de Vá, pedia bênção para vovô e vovó quando ele ia lá. Tinha também a Sulemi, figuraça! E também outra filha dela, que não me lembro o nome agora. Mas nunca me esqueci de passar pelos fundos da casa da Maria Criminosa e sentir certo medo por isso. Por causa da história dela. Dizem que matou o marido às machadadas, porque o homem era ruim de morrer e havia ameaçado-a. Ela, sem muita escolha, deu-lhe no cocuruto com o olho de um machado. Dizem que o viu estrebuchar no chão sem um pingo de remorso. Seus amigos e vizinhos, solidários com sua dor e atestando a sua legitimidade em agir em defesa própria, jamais a denunciaram. Maria Criminosa morreu com esse crime nas costas, com essa pecha, com o respeito, a alcunha e a atmosfera de medo ao seu redor.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;color:black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;No entanto, essa história, como muitas, tem algo de engraçado. Além da tragicidade que evoca tanta coisa, além do exemplo feminista de ter superado um relacionamento onde era a vítima de tanta coisa ruim, Criminosa, como era conhecida de minha avó, era motivo de risos, quando chegava à casa de meu avô.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;color:black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Mas para que a sua memória não fique manchada, nem mesmo se acuse minha avó de ser ruim demais com a pobre comadre, explico como é minha vovozinha. Uma senhora meio surda, às vezes inconveniente, às vezes um problemão, às vezes agindo como uma criança, vovó sempre foi contra essas amenidades sociais que cheiram à falsidade. Sempre sincera ao extremo, berrava portas adentro, ou mesmo na oficina de solda e carpintaria de vovô: “Nego! A Maria Criminosa taí!”. Nego era meu avô, apelido, por ele ser de pele escura. E para ela, toda despachada: “Entra, cumade Criminosa. O Nego já evém”. Nisso, vovô de cara no chão, falava com mamãe: “Maria, vai lá na sua mãe e manda ela parar de chamar a D. Maria de Criminosa, pelo amor de Deus, onde sua mãe tá c’oa cabeça, Maria?”. E minha mãe, mais que depressa chegava à minha avó: “Mãe, pelo amor de Deus, mãe, deixa de chamar a Dona Maria de Criminosa! Ninguém fala isso dela assim na cara não mãe”. À essa altura, Dona Maria Criminosa já estava vexada, sem graça, achando o jeito de cair fora, olhando várias vezes para a porta. Não adiantava falar com minha avó. Quer dizer, não adiantar é pouco. Piorava muito mais. Aí que minha avó falava mais alto ainda: “Mas ela é criminosa mesmo!” E passava para dentro da sala com café na xícara a entregar para a sem-graça da Dona Maria, que cumpriu severa pena por homicídio, ao ter que agüentar os desaforos de minha avó calada... Dona Maria Criminosa faleceu há anos... Pena não ter podido cumprimentá-la por sua contribuição valorosa ao imaginário popular.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Recentemente, numa dessas viagens que Rafael e eu fizemos à minha quente e ensolarada cidade, pudemos constatar a veracidade dos fatos da vida de Maria Criminosa, de seus atos e feitos, de tudo o que cerca a sua existência, pudemos ver uma de suas três filhas, falamos de Sulemi, que virou lenda urbana em Goianésia, e conversamos com minha avó, que repetia Criminosa incessantemente, incomodando a pobre alma que deve jazer a pagar pelos seus erros, mas louvavelmente correta, por ter havido sucesso em sua empreitada de salvar sua vida de um marido em fúria. Maria Criminosa, minhas lembranças e meu sincero &lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;kudo...&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;color:black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Goiânia, 26 de outubro de 2008.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6815850073222510257-970547317929349516?l=alexsweblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexsweblog.blogspot.com/feeds/970547317929349516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6815850073222510257&amp;postID=970547317929349516' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/970547317929349516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/970547317929349516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexsweblog.blogspot.com/2008/10/maria-criminosa.html' title='MARIA CRIMINOSA'/><author><name>Alex Mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975685767482827419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/x/blogger2/6567/3582/1600/754940/Alex6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_o7D_pbhACO0/SQTNpujC4gI/AAAAAAAAAIM/vCvr-x-RpC0/s72-c/Machado+(1).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6815850073222510257.post-5027452193016215356</id><published>2008-10-25T10:20:00.002-02:00</published><updated>2008-10-29T21:54:59.060-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>DESGRAÇA PELADA</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Dizem que um dia viram a Desgraça Pelada. Um homem, não sei bem quem, e contaram-me assim e assim eu passo adiante, do jeito que me disseram. Se tem coisa que eu não faço é a tal da invenção. Mentira nunca foi o meu defeito, meu senhor... Minha mãe batia se a gente mentisse, de tal forma que cresci sem essa mania feia. Mas viram sim a tal da Desgraça Pelada. Era o tio de um amigo meu. Vivia xingando: “Desgraça!”. Um dia ela apareceu para ele. A tal da Desgraça Pelada, bicha feia, velha, enrugada, com jeito de faminta, mal-acabada, pulou para cima dele, o susto foi tão grande que ele perdeu a voz, ficou um ano inteirinho sem falar. O pior eu não conto, não senhor... Era quinta-feira santa. Mas não foi falta de avisar, não senhor, a mãe dele vivia pedindo para ele não xingar tanto. Ele chegou em casa, cansado e com fome. Só tinha quiabo com abóbora para comer. Aí ele começou a praguejar. Sua mãe triste, cansada pediu que ele parasse com aquilo. Ele, no entanto, não parou por aí, xingou a própria mãe, porque só tinha aquilo para comer, não tinha carne. A pobrezinha da mãe explicou que carne naquela casa não se comia na semana santa. E ele é que teimou ir trabalhar no feriado. Nem precisar precisava. A roça estava que uma beleza de bem cuidada, assim como todas as criações da fazenda. Mas o tal do fulano continuou praguejando, xingando e dizendo: “Desgraça! Desgraça! Desgraça!” Aí ele saiu de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é que foi para o boteco tomar pinga! O dono da venda até troçou dele dizendo que na quinta-feira santa não é bom tomar cachaça. Mas acabou servindo a pinga para o fulano, debaixo do xingatório do cara. Aí é que as coisas pioraram mesmo. Com a cachaça na cabeça, ele começou a murmurar mais ainda falando mal de tudo, de todos e da desgraçada da mãe dele que tem coragem de servir abóbora com quiabo para quem trabalhou o dia inteiro. Chegou em casa por volta das nove da noite, de carona na rural que passava na porta da casa dele, do fazendeiro vizinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando em casa, entrou dentro de casa, tropeçou no balde, xingou, xingou, tropeçou de novo, caiu de cara na mesa cheia de vasilhas. Levantou esbravejando e xingando: “Desgraça! Desgraça! Desgraça Pelada!” E foi fechar a porta, porque estava de noite. Acordou todo mundo, sua mãe já saiu do quarto chorando de mágoa. O fulano então caminhou para a porta e quando foi fechá-la, ela estava lá, atrás da porta. A Desgraça Pelada. Feia, rota, suja, fedida, em trapos, cabelo estranho escondendo o rosto. Agarrou os dois braços dele com as mãos e disse em voz sussurante: “Eu estou aqui...” E então ele gritou. Gritou, gritou e desmaiou. Ficou mudo, catatônico, por vários dias. Depois ele foi se recuperando, mas nada de falar, até que na quinta-feira santa desse ano, ele estava em casa, olhou para sua mãe, suspirou profundamente com a cara mais triste e disse: “Êta vida sofrida, meu Deus...” E voltou a cair no banzo. Calado. Dizem que ele está morrendo de tristeza, e deve ser verdade. Uma tristeza tão forte que eu nem quero ir lá para ver como é que ele está. O meu compadre que conta essa história, é que disse que o pai dele conhece a mãe desse homem, e ele só fica em casa triste, sorumbático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve ser verdade sim senhor. A vida da gente é ruim, mas é melhor não chamar a desgraça pelo nome, que ela vem ver a gente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6815850073222510257-5027452193016215356?l=alexsweblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexsweblog.blogspot.com/feeds/5027452193016215356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6815850073222510257&amp;postID=5027452193016215356' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/5027452193016215356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/5027452193016215356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexsweblog.blogspot.com/2008/10/desgraa-pelada.html' title='DESGRAÇA PELADA'/><author><name>Alex Mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975685767482827419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/x/blogger2/6567/3582/1600/754940/Alex6.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6815850073222510257.post-4398542318664037270</id><published>2008-10-22T18:34:00.003-02:00</published><updated>2008-10-29T21:54:31.307-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>DOENTE</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Movia agitadamente braços e pernas, e quando chegaram com a maca, foi um custo pô-la ali e sair na ambulância, tiveram que sedá-la com uma injeção. Mas fora necessário, falavam todos. Fora necessário. Levavam-na pela segunda vez. Era pequena quando fora pela primeira. E não dera tanto trabalho assim. Era apenas uma garotinha e hoje é uma moça de quinze anos. Assaltada por desejos comuns à idade, seguiu uma colega até a casa do namorado dela, onde encontraria o primo de uma colega, e estavam namorando em segredo há umas semanas. E lá, ninguém sabe mais o que aconteceu. Chegara em casa aterrorizada com algo, algo inexplicável. Inexplicável porque nem a colega e o namorado dela souberam dizer algo que pudesse explicar tudo aquilo. Era comum passearem e a casa do namorado da dita cuja era uma casa estritamente de família. Não havia porque se preocupar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Mas os pais da doente se preocupavam. E começou a desconfiar a dizer coisas às travessas de um lado e de outro. Até que a mãe do namorado da amiga da doente se manifestou: Que ele pudesse se conter na frente dos outros. Estavam todos em casa: o marido, a empregada e ela. As crianças conversavam na cozinha, ela e o pai na sala a assistir TV e a empregada a lavar a louça, escutando tudo. Mas o que diziam então? Não sei. O que diziam Bernadete? Ah, sim. Falavam de provas a fazer, de namoradinhos de coisas assim, nada de mais. Nada de realmente chocante. Ficaram sozinhos sim. Mas não por muito tempo. Apenas por uns minutos enquanto a outra ali estendia a roupa no varal. A verdade é que algo se perturbou... E alguma coisa aconteceu. O que foi que aconteceu? Ninguém sabia. E o pai da doente ainda se questionava quando a viu deitada na cama, cheia de marcas roxas e unhadas pelo rosto. Ela mesma que fizera, dizia o enfermeiro, indefectivelmente de branco e com o rosto todo suado. O hospital estava quente àquela hora e ele dizia que infelizmente o ar refrigerado estava estragado. Mas que ele não se preocupasse que isso se consertava logo, e os quartos, a despeito de tudo, eram arejadíssimos, ele que visse por si mesmo tudo, como era bom.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Sintomas comuns de esquizofrenia, dizia minutos depois o médico a ele e à sua esposa. A filha deles certamente seria portadora de uma esquizofrenia comum. Mas o engraçado era que os exames feitos não indicavam nada disso. A esquizofrenia é incurável, no entanto é diagnosticável em exames como os que fazemos aqui e ela não tem nada. Ela, por acaso, é usuária de drogas? Essa pergunta abalou a ambos e responderam incontinenti que não sabiam de nada e a filha tinha sempre as melhores companhias. No entanto, algo poderia ter acontecido. Ela tinha disritmia quando criança, disse a mãe ao médico, sacando um envelope velhíssimo com o registro das ondas cerebrais da menina. O médico disse que não precisava, a mulher insistiu e ele olhou dizendo que o que ela tinha era algo, por assim dizer, sem importância e sem relação com tudo o que acontecera, já que exames mais modernos indicavam que nada havia na mente da menininha. Menininha não, disse ele. Uma moça feita... Quando voltaram, ela tinha olhos abertos, mas sem brilho vital. Uma enfermeira inclinava a sua cama e ministrava aqueles comprimidos brancos e laranja. Depois, serviu-lhe calmamente o jantar, na boca como se ela fora um bebê, e ela voltava a dormir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Nos dias subseqüentes, ela era sempre vista acompanhada de um enfermeiro ou de um voluntário a levá-la para passeios curtos nos corredores. Vendo aquilo, sua colega confessou à mãe da doente que ela acolitava os encontros de sua amiga, e naquele dia ela iria lá para namorar, já que sabia que não era permitido, porque o menino era católico romano e ela era adventista do sétimo dia. Mas isso não é verdade, disse a mãe. Nós nunca, explicitamente, falamos isso com ela. Não havia uma real proibição. Mas àquela hora, verdades boiavam mesmo, sem nenhum pudor. Então a mão da doente encostou-se no vidro... Era tarde demais para alguma coisa?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Era. O médico que diagnosticou o problema, fez exames ainda mais modernos, e trouxe chapas negras com fatias de cérebro mostrando manchas incomuns e coisas assim... Seria algo talvez congênito. Não levara pancadas, nunca tinha apanhado do pai, insistia a mãe. Eu também não bati. Como ninguém batia na doente, será que ela se batia? Sem muitas conclusões, e com um exame superficial do crânio da doente que estava ileso, o médico a condenou a viver como uma batata inglesa o resto de sua vida tomando um remédio para a cabeça não estourar de vez.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Foi para casa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Então lá, reaprendendo a comer sopa de colher, a doente desiste de ir à escola para sempre, desiste de andar de bicicleta ou ir ao shopping namorar vitrines. Começa a usar fraldas novamente, por causa das fezes, urina e das regras... Assaduras mil depois, é levada à clínica de reabilitação, onde tentou algumas vezes colocar um cubo num buraco redondo. Sem muito sucesso nessa empreitada, abandonou os brinquedos lógicos e hoje expõe suas pinturas no mundo inteiro, que vê nela um novo Kandinsky parcialmente acéfalo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Afinal, a doente é mais feliz do que seria se tivesse resolvido casar com aquele unzinho do dia do colapso...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6815850073222510257-4398542318664037270?l=alexsweblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexsweblog.blogspot.com/feeds/4398542318664037270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6815850073222510257&amp;postID=4398542318664037270' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/4398542318664037270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/4398542318664037270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexsweblog.blogspot.com/2008/10/doente.html' title='DOENTE'/><author><name>Alex Mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975685767482827419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/x/blogger2/6567/3582/1600/754940/Alex6.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6815850073222510257.post-9190128359097696698</id><published>2008-10-20T18:30:00.004-02:00</published><updated>2008-10-29T21:54:08.660-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>O NOVATO</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Chamava-se Roberto. Odiava que lhe chamassem de Beto. Beto. Ridículo, pensava. Nome de criança. Roberto, Roberto. Gostava de ser Roberto. Era ranzinza, chato, insuportável e intratável. Mas era chefe. Quem ousaria molestá-lo? Poucos. Tinha poucos que lhe ousariam resistir em sua autoridade baixa, ali dentro. Trabalhava num escritório, chefiando uma seção qualquer numa sucursal de uma empresa importante. O escritório era uma ampla sala, cheia de divisórias com computadores e algumas ilhas, mesas redondas, divididas em três. Era um espaço onde conviviam diversos departamentos e mais de vinte funcionários. Era somente um chefe de seção. Nada mais. Um chefezinho. Toda a sua real atribuição era prestar contas de várias coisas, de seu departamento aos chefes maiores. Nada de mais. Não tinha tanto poder nas mãos. Mas intimidava alguns, sabiam que Roberto era muito incisivo, exigente. Já outros não estavam nem aí para o que ele era ou deixava de ser.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Contra esses, Roberto não fazia nada, mas não se mostrava dócil também. Uns eram funcionários velhos de casa, pessoas já acostumadas às suas rotinas. E Roberto, mais um chefe mal-humorado dentre milhões no mundo inteiro. Não fazia questão de se sentir especial. Apenas queria ser deixado em paz por aqueles que considerava um povinho chato. No entanto, Roberto era sábio em expressar sua opinião. Sabia que esse tipo de agressividade poderia gerar atritos. Ele jamais quisera ser responsável por isso ou coisa parecida. Amava seu cargo. Era muito importante para ele chegar àquele ponto. Ganhava bem. A verdade é que Roberto era cheio de manias, cheio de coisinhas, de defeitos e idiossincrasias. Desde pequeno, acostumou-se a ganhar tudo no grito, a passar por cima de todos. Seu truque-mor: brigar. Perder a razão era uma forma segura de se afirmar, de passar por cima de sua mãe, de seus irmãos e de estabelecer um território seguro para continuar como sempre quis as coisas. Depois de maduro, estabelecer na vida, sempre foi uma tarefa difícil a ele. Sempre quis mostrar a todos que era capaz. Só que escolhia sempre uma forma diferente de avultar isso: acima de tudo queria que vissem que não somente ele era o melhor, como todos ao redor eram incompetentes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Essa filosofia de vida rendeu-lhe essa chefia. Acha-se, no entanto, que sua chatice é que determinou a sua promoção. Neuroses de escritório. Todos querem saber por que um progrediu e outro não progrediu. Há sempre teorias a respeito. Com alguns anos de escritório, Roberto criou em torno de si uma cápsula. Ninguém que viesse lhe contar piadas, embora ele quisesse contar e esperava que ao menos um risse. Ninguém que lhe cumprimentasse demais. Logo perguntaria: “O que quer?” Ninguém que lhe pusesse apelidinhos, chamava na hora e tomava satisfações, fazia o escarcéu. Ninguém que nada. Ninguém que lhe fosse amistoso. Gostava de tomar iniciativas nesse campo. A não ser a moça do cafezinho e uma estagiária, somente o office-boy da empresa que gostava dele. O resto, quando não podia desprezá-lo, tolerava porque não tinha outro jeito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Um belo dia, um reboliço no escritório. Eram nove da manhã e um zunzunzum entre duas moças do departamento de pessoal. Ouviu seu nome umas três vezes. De sua mesa, perguntou às mocinhas o que era. Elas responderam que nada não. Não falavam dele. Abaixou os olhos para o teclado do computador e continuou seu trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;No outro dia, um ar de alegria diferente no ambiente. O chefe chamou todos e apresentou o novo funcionário. “Seu xará, Roberto”, disse o chefe com um sorriso estranho. Outro Roberto. Bem... Indiferente, como todos, cumprimentou ao novato. Muito bonito, notou Roberto, o outro era bonito, atraente, as mulheres do escritório já o tratavam com aquela cordialidade interesseira. Roberto então se lembrou do dia anterior. Certamente as moças do departamento de pessoal já sabiam do novato. Viera por transferência da matriz, era economista, &lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;blá-blá-blá...&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; Que bom, pensou Roberto, vai passar longe de mim.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Nos dias que se seguiram, Roberto irritava-se. Por causa do outro, pensou. Era um tipo humoradíssimo, sangüíneo, daqueles que parecem irradiar luz aonde chega. O veterano indiferente a todos, dessa vez começou a se irritar. Motivo: ouvia a toda hora seu nome. Não por causa de si, mas do &lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;xarazinho.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; “A essa altura”, pensava o veterano, “já deve saber quem eu sou e certamente vai se bandear para o lado dos outros”. E os outros gostaram. Ele era a sensação do momento. Apesar de não ser do departamento de Roberto veterano, o novato sentava-se relativamente perto, numa das divisórias e a todo o momento, aquele sorriso luminoso dele brilhava em suas vistas. Roberto, Roberto... Ali pelo fim da primeira semana o golpe final... Roberto, o novato, vira para a chefa do departamento de pessoal, uma loira falsificada tida como a mais popular de todos, e diz: “Roberto... Muito formal... Chame-me de Beto, adoro”. O veterano ouviu tudo. Teve uma palpitação, foi ao bebedouro, depois tomou café, depois foi ao &lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;fumódromo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; e dois cigarros depois, já sentado na mesa, o escritório inteiro tratava seu xará de Beto, e todos pareciam chamá-lo quase que ao mesmo tempo, num eco insuportável.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Parecia um pesadelo. O que fazer? Suportar, resignar-se... Nada, no entanto, satisfazia-lhe. Ver-se livre dele? Paranóia. O carinha não fez nada... O ódio surdo-mudo de Roberto já estava a incomodá-lo demais. Na volta para casa, distraía-se no trânsito à toa, o que fê-lo chegar à sua casa com várias buzinadas no ouvido. Estava triste, cansado, exausto. Não gostar dos outros cansa. Banhou-se. À frente do espelho, para mais um barbear, olhou bem para seus olhos. Por que odiá-lo, ele é tão simpático. Tão amável... Tão perfeito. Tentava lembrar com minúcias de Roberto novato. Um sorriso radiante. Só isso. Belo sorriso, pensou a desenrolar a toalha. Estava ligeiramente excitado... Ah... Bobagem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Roberto, o veterano, era separado há três anos. O único filho do casal estudava fora, ele o via nos finais de semana programados. Sempre saíam juntos, ou ficavam em casa. Pelo menos o guri gostava de futebol, assim, podiam ficar longos períodos assistindo aos campeonatos do momento. Isso não gasta nem conversa e nem dinheiro. Casado. Já fora casado. Por que pensar no maior dos seus fracassos? O que fazer. Tocou seu membro semiteso. Pegou nele com sua mão... Não. Não se sentia à vontade para nada. Não. Largou. Vestiu seu pijama, dormiu o sono dos injustos, mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;No outro dia, uma boa idéia lhe passou ali, pela nove da manhã. Por que não se aproximar do outro? Por que não? Faria uma amizade sólida e sonora com ele. Estariam amigos logo, se eles se tornassem amigos, o escritório inteiro ficaria de cara no chão. Uma ótima forma de humilhar a todos aqueles chatos que o discriminavam, que o taxavam de mal-humorado. Uma forma de deixar perplexo o Saraiva, o chato de plantão do escritório. Aquele tipo comediante com piadas indiscretas o tempo todo... Bem, depois da chegada do outro no escritório, sempre que passava pela mesa de Roberto, o veterano, ele dizia: “E aí, Betão...” Saraiva ficaria perplexo com a amizade. Isso. Seriam os &lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;dois Robertos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; O outro haveria de gostar dele, de ir visitá-lo algumas vezes, de participarem de eventos sociais juntos. Gostaria de conhecer a mulher de Roberto. Ele era casado? Descobriria, mandaria vinho e queijos no Natal, se tiver filhos, presentinhos... Ficaria caro? Então só o vinho e os queijos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Passou por ele, na sua mesa, o outro he sorriu... Mexeu as sobrancelhas e meneou a cabeça. Foi aonde ia, voltou. Sentou. Foi ao banheiro. Incrivelmente teve um lampejo, elogiou o garoto: “Que sorriso maravilhoso o dele... Merece uma moldura”. Pensou, pensou, foi à sua gaveta, lá havia um frasco daquelas loções de bochecho anti-sépticas. Usava sempre, porque fumava e morria de medo de câncer de boca... Neuroses. Ao sair do banheiro, esbarrou nele, no cafezinho... Perdeu o medo. Cumprimentou-lhe, tocou-lhe o ombro e finalmente apertou-lhe a mão. Olhou bem para ele. Roberto era o tipo moreno surfista, cabelos meio longos, puxados para trás, olhos pequenos, rosto bem masculino e quadrado... Barba bem feita, roupa bem colocada no corpo de porte atlético. Olhou rapidamene para a mão dele, nenhum sinal de aliança. Nem sombra. Devia ser solteiro. Perguntou coisas banais, bateram um papo desses comunzinhos. A partir daí, o veterano era muito bem tratado pelo novato, que sempre lhe abria um sorrisão enorme todos os dias. Que bom. Sorria levemente. Depois de um tempo, sempre batiam um papinho no café. Um dia, teve uma oportunidade ímpar de aproximar-se mais ainda. O carro do novato quebrara e depois de chamar o guincho, o veterano ofereceu-lhe uma carona até casa. Ora. Seria mais confortável. Ambos conversaram sobre muitas coisas. O novato jamais falava sobre mulheres. Inquirido sobre isso, limitou-se a dizer que era apenas muito só e que casar não estava nos seus planos para o próximo decênio. Chegando ao apartamento do novato, foi convidado a entrar, pelo menos para tomar uma água, um café. Titubeou, mas acedeu e ambos tomaram um uísque. O novato saiu para ir ao banheiro. Apartamento simples, bem decorado, bonito por dentro. Procurou vestígios com os olhos de uma vida comum, achou apenas uma foto... Olhou bem, reconheceu... Não podia ser parente. Era uma foto de Diana Spencer... Riu de si para si. Quem teria a coragem de ter uma foto da Lady Diana em cima de um aparador, num porta-retrato? Procurou com os olhos alguma coisa que tornasse aquela casa mais séria, mais com cara de... Epa... Roberto era gay... Olhou na cara dele a sorver o último gole, será? Pediu para ir ao banheiro, quando o outro voltou. Nada de mais, na volta não perdeu um centímetro quadrado sequer. Cama de solteiro no quarto de porta entreaberta. Não sabia. Não perguntou. O que poderia ter com a vida do rapaz? Nada... Agradeceu o uísque com tapinhas nas costas. Roberto acompanhou-o até em baixo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;No outro dia, o novato foi à sua mesa e lhe agradeceu de novo. Haveria de retribuir aquele favor... Ele sorriu largamente e disse que era de nada. Fizera sua parte de amigo. Aquela palavra ardeu-lhe nos lábios. Amigo... Era bom falar aquilo. Depois, na ida costumeira ao toalete, viu-se novamente meio excitado. Tocou-se como se não cresse naquilo. Por quê? Olhou para trás, lá estava o bonitinho do novato entrando e indo para o mictório ao lado. Continuou ali, tentando urinar, com a sua uretra meio estrangulada por aquela semi-ereção. Olhou para cima, enquanto o colega urinava. Olhou de uma vez no seu rosto quando flagrou o novato dando uma boa olhada ali, naquele lugar... Bobagem, pensou. Curiosidade masculina. Roberto, o novato, sorriu amarelo, saiu e foi ao lavabo, penteou-se novamente com os dedos, após lavar a mão. Lá no mictório, o veterano experimentava uma excitação enorme. Respirava fundo para aquele estado passar antes de sair dali. Quando estava mais calmo, foi ao lavabo, higienizou suas mãos, arrumou os cabelos. Estava grisalho na laterais. Achava isso um charme. Olhou seu rosto. Enxuto, bonito, escanhoado, 40 anos, estava cheirando à sua colônia francesa predileta, roupa bonitinha. Não estava com mau-hálito. Eram mais de dez horas e ainda não havia fumado... Passou os olhos sobre seu corpo. Magro. Bonito. Nada mau, pensou... Nada mau. Voltou ao trabalho. No fim da tarde, Beto, o novato, passou na sua mesa, deixou-lhe uns relatórios de trabalho. O veterano tocou-lhe o braço. “Espera aí”. “Sim...” “Bem”. “Queria retribuir o favor que eu lhe fiz, não é?” “Claro, Roberto. Você é um ótimo colega, e sinceramente, fiquei muito agradecido de me levar em casa... Puxa... Só de pensar no preço do táxi... Brigadão, adorei... Você foi muito legal mesmo”. “Que nada”. “Foi sim. Quer saber, não tem nada de sério e sisudo, como todos diziam, muito amigo, muito humano...” “Obrigado, Beto”. “Que isso, como já disse, eu é que lhe devo um favor”. “Então. Quer retribuir mesmo? E que tal a gente pegar uma happy hour hoje num bar ali, perto de casa? Muito legalzinho, discreto, confortável, musiquinha...” “Opa! Na hora, camarada! Isso não vale, vou continuar devendo o favor assim mesmo”. “Tudo bem”, disse o veterano. “Eu sei cobrar bem...” O sorriso dele surpreendeu o novato que sorriu de volta, em resposta, como que a entender tudo o que se passava...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6815850073222510257-9190128359097696698?l=alexsweblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexsweblog.blogspot.com/feeds/9190128359097696698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6815850073222510257&amp;postID=9190128359097696698' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/9190128359097696698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6815850073222510257/posts/default/9190128359097696698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexsweblog.blogspot.com/2008/10/o-novato.html' title='O NOVATO'/><author><name>Alex Mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975685767482827419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/x/blogger2/6567/3582/1600/754940/Alex6.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
